Terminou agora há pouco no Higino, Opereta Carioca, a última apresentação do Festival de Inverno 2009, realizado pelo Sesc Rio em Teresópolis e em Petrópolis com apoio da Fecomércio-RJ e das Prefeituras. Foram 15 dias de muito teatro, música, dança, exposições, oficinas e performances. Não pudemos deixar de sentir a falta dos grandes shows ao ar livre e do Teatro de Rua (que evitava a maratona por ingressos pela manhã), mas valeu a pena e as cidades devem estar gratas a esta iniciativa que levou muita cultura de graça para a região. Parabéns ao Orlando Diniz (presidente da Fecomércio-RJ) pelo 8º ano consecutivo desse investimento de sucesso. Até 2010.

Enquanto rolava a peça It on it no Teatro SESC (que não deu pra ir), esses artistas super talentosos encantavam o público que foi chegando devagarzinho, quase sem acreditar que ainda haviam ingressos para esta última noite.

Com sambas interpretados por Soraya Ravenle e Gustavo Gasparani o repertório foi da década de 20 aos sambas atuais, com direirto a Zeca Pagodinho, Vinicius de Moraes e Paulinho da Viola.

Com sambas interpretados por Soraya Ravenle e Gustavo Gasparani o repertório foi da década de 20 aos sambas atuais, com direirto a Zeca Pagodinho, Vinicius de Moraes e Paulinho da Viola.

O espetáculo, de autoria do próprio Gustavo Gasparani, contou com malemolência a história de um “Malandro” e sua “Cabrocha” muito afinados ao interpretarem clássicos como ‘Mulata Assanhada’, ‘Beija-me’ e ‘Camisa Amarela’. Não teve quem ficassse parado no Teatro Higino. Até 2010. Mesmo!

Lenine acabada de apresentar aqui no Higino seus “filhos mais novos”, que estão em seu novo disco Labiata. O nome do CD é de uma espécie de orquídea que permeia várias regiões do país e tem multicores, assim como seu trabalho.

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Em mais uma noite concorrida, Lenine arrastou uma legião de fãs ao penúltimo dia do Festival

Nem precisava, mas Lenine soprava os refrões de seus sucessos enquanto regia o público que cantava sozinho “Hoje eu quero sair só” do álbum O dia em que faremos contato e a consagrada Paciência.

"ajoelhados sob a luz que vinha dos céus assistiam a tudo"

"ajoelhados sob a luz que vinha dos céus, assistiam a tudo"

Tocando música tecno, eletrônica, pop, rock, de cordel, samba e algo mais para reflexão como o fantástico pout-porri (medley) com Lulu Santos, o funk “ado-ado-ado, cada um no seu quadrado”; “meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá…???” Lenine mostra o artista completo que é, com sua poesia transcende aos ritmos que escolhe para executá-las.

por Ricardo Raposo

PS: A frase acima que dá nome a este post é do Lenine aos jovens que lotavam seu show no Higino em Teresópolis, se referindo a importância cultural do Festival de Inverno do SESC que teve entrada franca em todas as atrações na serra durante 15 dias.

Galeria


Muitos M´s maneiros: música, melodias, melodramas, melancolia e minimalismo.

Histórias da van e improvisos no palco do Higino, assim é o 3M

Histórias da van e improvisos no palco do Higino, assim é o 3M

Da história sobre como foi retirada a palavra “Amor” da bandeira nacional do Mautner a um diálogo insólito com João Gilberto sobre Bossa Nova do Macalé, passando por física quântica e antropologia, até chegar no famoso poema do “Homem-de-Lata que dirigia sua caranga de carne-osso e abria uma latinha sangue estupidamente barato” do Melamed, valeu de tudo, até perguntas da platéia, em noite memorável para se ouvir histórias e músicas com esses três caras.

Abrindo com a história otimista da brasilidade de Mautner, quando afirma que o Brasil é um gigante que se finge invisível ao mundo e despertará neste novo milênio (emocionou até) fechando com a interpretação surreal de Conceição com Jards Macalé.

Leia o poema Home-de-Lata do Melamed na íntegra no canal poesias

Depois de intensa programação com direito a maratona por ingressos para acompanhar tudo de bom que o Festival de Inverno do SESC Rio trouxe para Teresópolis e Petrópolis no mês de julho, chega ao fim a 8º edição do FESTIVAL DE INVERNO que já deixa saudades. Até 2010.

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Show de Lenine e 3M com Melamed, Mautner e Macalé são as grandes atrações deste último fim de semana do Festival de Inverno

O disputado ingresso para o show do Lenine existe. Um já apareceu aqui no Blog.

O disputado ingresso para o show do Lenine existe. Um já apareceu aqui no Blog.

Bibi Ferreira fez uma homenagem à ‘grande dama’ da canção francesa, Edith Piaf. Em 2009, em pleno ano da França no Brasil, Bibi, do alto dos seus 87 anos, reviveu a emoção de um dos seus maiores sucessos de público e crítica. O espetáculo “Bibi canta e conta Piaf” e encantou a noite do último domingo no Teatro Higino.

Cerca de 450 pessoas receberam com aplausos incessantes, a grande dama do teatro brasileiro, que reinou absoluta no palco. Vestindo preto e azul real, Bibi cantou a Diva, que teve a vida marcada por sucessos e tragédias. Nas décadas de 40 e 50, ela encantou Paris com sua voz e canções. Morreu em 1963, aos 48 anos, na França.

A peça se divide entre as canções de Piaf, interpretadas por Bibi Ferreira, e textos que contam a vida da cantora, narrados por Nilson Raman. No repertório, canções como “La Vie Em Rose” e “Non, Je Ne Regrette Rien”, fizeram a platéia cantar empolgada. Dona de uma voz ainda firme e forte, a artista impressiona, e com total domínio dos músicos e da platéia, protagonizou um espetáculo inesquecível ao público de Teresópolis.

“A Bibi é realmente a Dama do nosso Teatro, mas não se pode negar que aos 87 anos e com essa voz, pode ser considerada também a Dama da Música” conclui Dona Vera que aguardava o show com ansiedade.

O show ‘Jardim de perfumes de sim’, de Vanessa da Mata, contou com músicas do novo DVD intitulado ‘Sim’ e sucessos da carreira como ‘Não me deixe só’ e ‘Ai, ai, ai’.Sensorial - O perfume da Vanessa invadiu o Higino

Sensorial - O perfume da Vanessa invadiu o Higino

Entre outras músicas, a cantora apresentou ‘Amado’, com a qual concorre na categoria ‘Melhor música’ no Prêmio Multishow de Música Brasileira 2009. “Tenho a sorte de ter um público que gosta das minhas músicas, se identifica com elas. Então, é uma honra, um privilégio pra mim estar concorrendo mais uma vez”, contou Vanessa da Mata em entrevista à imprensa. No show, a artista também interpretou ‘Eu sou neguinha?’, de Caetano Veloso, ‘História de uma gata’, de Chico Buarque, e ‘Por enquanto’, de Renato Russo.

O ponto alto da apresentação aconteceu com ‘Boa sorte/Good luck’, um dos sucessos da cantora. O público cantou a parte da letra em português e Vanessa da Mata fez a versão em inglês. “Pra sair de casa com este frio, só mesmo para assistir a Vanessa. Adorei quando ela pediu que cantássemos a música ‘Boa sorte’ junto com ela”, disse a vendedora Cristina de Souza. Ana Paula Braga é fã de carteirinha de Vanessa da Mata. Para a administradora e para muitos críticos, a cantora é a nova diva da MPB. “Ela é incrível. Já é a segunda vez que assisto ao show da Vanessa aqui em Teresópolis e pra mim é difícil dizer qual é o melhor momento. Mas, a música ‘Vermelho’ me emocionou muito”, disse entusiasmada, Ana Paula.

Para Vanessa da Mata, a platéia foi contagiante. “O público foi maravilhoso. Geralmente, o teatro deixa as pessoas inibidas, porque tem essa “pomposidade” de teatro, é mais fino, mais elegante. As pessoas têm que ficar mais sentadas. Mas, na primeira vez em que as convidei pra dançar, todas se levantaram, dançaram, foi ótimo”, completou a artista.

A construção coletiva de Deborah Colker, que durou um ano e meio para ser concebida e que contou com textos de Fausto Fawcett, se encontrou o povo no Ginásio Pedrão em Teresópolis.

Deborah preveniu dizendo: “Todas as colaborações acabaram servindo como munição nesse processo criativo, sendo absorvidas através da dança e criando uma costura nas situações que se apresentam, mas o que se verá não é novela, não é teatro. É dança”.

A estética do corpo - quase sempre sem respiração, o público acompanhou os malabarismos criados por Deborah

A estética do corpo - quase sempre sem respiração, o público acompanhou os malabarismos criados por Deborah

E todos entraram no mundo de Deborah, mostrando q a dança pode interagir com todas as idades, classes e tribos que aplaudiram de pé o espetáculo.

Ao fim de Cruel o povo foi generoso, podia-se notar que os artistas se emocionaram com a resposta do público.

Renata Moura, advogada, achou uma ótima iniciativa trazer um espetáculo como Cruel para Teresópolis. “O Festival de Inverno dá oportunidade às pessoas que não teriam condições de assistir a Cia Deborah Colker em outros lugares”, comentou.

A cada surpresa uma nova estética se criava com os corpos e elementos que completavam as abstrações de Deborah

A cada surpresa uma nova forma se criava com os corpos e elementos que completavam as abstrações de Deborah.

A segunda semana do Festival de Inverno 2009 chega com grandes atrações. De 21 a 26 de julho, o público poderá assistir gratuitamente, em três endereços diferentes de Teresópolis, a quatro grandes espetáculos musicais. Vanessa da Mata apresentará o show “Jardim de Perfumes de Sim”. Marisa Orth também é atração em “Romance”, volume II, uma mistura de texto e improvisação, emoção e humor cantando Hildon, Tim Maia, André Abujamra, Roberto Carlos, Rita Lee, Erasmo Carlos, entre outros. Já o cantor Fabiano Marques apresentará um repertório autoral marcado pelas influências na música brasileira. 
 
Teresópolis ainda vai receber espetáculos teatrais e de dança. Nas artes cênicas, destaque para “Espia Uma Mulher que se Mata”; a comédia romântica “A História de Nós 2”; “É Samba na Veia é Candeia”, com Jorge Maya e grande elenco; “Bibi Canta e Conta Piaf”, uma homenagem da grande dama do teatro brasileiro (Bibi Ferreira) à grande senhora da canção francesa (Edith Piaf) e “Faço Minhas as Suas Palavras”, com Bianca Ramoneda. A Cia Mário Nascimento também estará no Festival com o espetáculo “Faladores”. Já a Cia Déborah Colker apresentará “Cruel” no Ginásio Pedrão.
 
O cinema estará bem representado com as Mostras de Vídeo e a Sessão Criança. Na varanda do Sesc Teresópolis serão exibidos os seguintes filmes: “A Marvada Carne”, de André Klotzel, com Adilson Barros, Fernanda Torres e Dionísio Azevedo; “Assim era a Atlântida”, de Carlos Manga; “Mata Hari”, de George Fitzmaurice, com Greta Garbo, Ramon Novarro e Lionel Barrymore; “Rainha Cristina”, de Rouben Mamoulian, com Greta Garbo, John Gilbert e Lewis Stone; “Grande Hotel”, de Edmund Goulding, com Greta Garbo, John Barrymore, Joan Crawford e Lionel Barrymore; “Ninotchka”, de Ernt Lubitsh, com Greta Garbo, Melvyn Douglas e Ina Claire. A Sessão Criança vai mostrar cinco animações, entre eles os “Contos de Wilde”, do escritor irlandês Oscar Wilde.
 
O festival também terá atrações para o público infantil no Teatro Sesc Teresópolis, como o espetáculo “Boca de Cena – Contando Machado de Assis”; “De Paes para Filhos”, com 14 poemas de José Paulo Paes; “Retalhos de Drumond – Com Tapetes Contadores de Histórias” e “O Tal do Quintal”, com a Cia Balangandança, um passeio pelas brincadeiras, medos e sonhos do universo da criança.
 
O Festival de Inverno do Sesc Rio, em Teresópolis, também reservou espaço para grandes exposições e oficinas. Confira a programação completa desta segunda semana de grandes espetáculos na agenda.

Tudo grátis na programação da 8ª edição do festival 

O Festival de Inverno do SESC, que tem o apoio da Prefeitura de Teresópolis, trouxe para a serra também espetáculos de música, dança e teatro. No sábado, no teatro do SESC, misturando temas clássicos da MPB com roupagem jazzística e composições próprias, o quarteto formado por Leo Gandelman, Mauro Senise, Paulo Moura e Nivaldo Ornelas levou o público do show ‘4 x 4’ a uma viagem ao universo do improviso.

“Com um sopro, Leo Gandelman fez o público ficar sem ar no teatro Sesc”

Leo Gandelman no Festival 2009 Teresópolis
Leo Gandelman no Festival 2009 Teresópolis

Referências da música instrumental brasileira, em ‘4×4’ Leo Gandelman, Mauro Senise, Paulo Moura e Nivaldo Ornelas se apresentaram em performances individuais e coletivas, acompanhados pelo pianista David Feldman, pelo contrabaixista André Vasconcellos e pelo baterista Allen Pontes, sob os aplausos calorosos da platéia.  “É um grande prazer estar em Teresópolis e fazer parte deste projeto muito bacana, que é o Festival de Inverno”, disse o flautista e saxofonista Mauro Senise. Em sua performance, o músico apresentou as músicas ‘Andorinha’ (Tom Jobim) e ‘A História de Lily Brown’ (Edu Lobo e Chico Buarque).

“Prazer participar, mais uma vez, do Festival de Inverno em Teresópolis, lugar onde estive boa parte da vida. Sempre passei minhas férias aqui. Essa é uma ocasião especial para todos nós”, comentou o saxofonista, produtor, compositor e arranjador Leo Gandelman, que brindou o público com composições próprias do seu novo DVD ‘Sabe Você’. Considerado um dos mestres da música instrumental brasileira, o compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista Paulo Moura, aos 77 anos de idade, também apresentou composições próprias durante o show, entre elas a valsa jazzística ‘Tempos Felizes’, encantando o público com o seu talento e simpatia. Já o flautista, saxofonista e compositor Nivaldo Ornelas apresentou a música ‘Nova Granada’, do CD ‘Reciclagem – Ao Vivo’.

“Gostei muito do show. O Festival de Inverno é excelente, pois promove cultura para a população e movimenta o turismo em Teresópolis”, elogiou Maria Thereza Ramos. Integrante do Coral Univerti/Unifeso, ela prestigiou o show acompanhada da irmã, Carmen Lúcia Pitzer. Para Roberto Gomes, o show foi um programa de família, que ele assistiu acompanhado da mulher, Karina, e do filho, Kaua Yago. “Um show maravilhoso, com artistas consagrados da música instrumental brasileira. Superou todas as expectativas”, comentou. “Realmente maravilhoso. Teresópolis não costuma ter show de música instrumental dessa qualidade e deve aprender a dar valor”, opinou o despachante Paulo Sérgio da Silva, o Teco. “O Festival de Inverno oportuniza às pessoas o contato com artistas renomados, tanto da música quanto do teatro, promovendo cultura através de espetáculos de qualidade”, destacou a professora Rosângela Canto.

Em mais uma noite disputada por um lugar (e uma manhã por um ingresso) a quarteto liderado por Marcelo Adnet agitou a galera de Tere no Higino com cenas de improviso sugeridos pela platéia.

Ao quarteto sempre eram sugerido temas “quentes” pela platéia.

Ao quarteto sempre eram sugerido temas “quentes” pela platéia.

Eles sempre simpáticos, mas tem sempre as "produtorinhas" que pediam fotos sempre em grupos para economizar (o que mesmo?)

Eles sempre simpáticos, mas tem sempre as "produtorinhas" que pediam fotos sempre em grupos para economizar (o que mesmo?)

Mais…

‘Z.É. – Zenas Emprovisadas’ é vencedor do prêmio Shell de teatro e já teve mais de 100 mil espectadores. Na maratona de improvisação, quatro atores fixos e um apresentador convidado, diferente a cada apresentação. Em Teresópolis, o convidado especial foi Alexandre Régis, ator e diretor que já participou de programas como ‘Viva o Gordo’, ‘Os Trapalhões’ e ‘Zorra Total’. Atualmente, Alexandre Régis faz o personagem ‘Eu não sou maluco’, no humorístico ‘A Praça é Nossa’.

Há seis anos em cartaz, foi a primeira vez que ‘Zenas Emprovisadas’ subiu a serra. Na abertura, um esquete de humor – a única parte ensaiada do espetáculo. O esquete tem como objetivo esquentar a platéia para a comédia e apresentar o ator convidado em papel especial. Nesta parte, os atores brincaram com frases religiosas que estampam camisetas. Em seguida, o diretor convidado, Alexandre Régis, propôs aos atores Fernando Caruso, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet e Rafael Queiroga, exercícios de improvisação para aquecimento do corpo e da memória e duas situações de humor nas quais os atores tiveram que lançar mão de toda a criatividade para encenar.

A partir daí, começa a terceira parte da peça, intitulada “Os jogos”. Nesses jogos, a ambientação, tema e personagens são sugeridos pela plateia. Os atores fizeram roda de poesia, com o tema ‘Onde está o chinelo?’, divertindo o público com rimas sobre as marcas de chinelos. Depois, em duplas, realizaram uma performance com um par de algemas e uma espécie de antena de televisão. Esses objetos se transformavam em outros objetos de acordo com o a história inventada pelas duplas.

Nos jogos de improvisação, os atores também usaram paródia musical. ‘Menino do Rio’, de Caetano Veloso, e ‘Pela última vez’, da banda Nx Zero, foram duas das diversas músicas que ganharam novas versões e a plateia aprovou: “Adorei a peça. Todos os atores são ótimos e a parte em que eles brincam com as letras de músicas conhecidas foi genial”, disse a vendedora Thaymara Almeida. Para Bruno Amoroso, a peça poderia ser apresentada novamente em Teresópolis. “A interação com a público é muito interessante e torna o espetáculo único. Eles podiam voltar mais vezes à cidade”, ressaltou o estudante.